Antonio Peticov

 

O senhor das cores

 

O domínio do uso da cor é uma das principais características do artista plástico paulista Antonio Peticov. Autodidata, nunca teve aulas formais de arte, mas desenvolveu uma rara consciência do que significa a atividade criativa – e da sua importância para o mundo, valorizando a capacidade de cada indivíduo de escolher o que deseja fazer.

Descendente de búlgaros que emigraram para o Brasil no início do século XX, Peticov nasceu em 2 de julho de 1946, em Assis, interior do Estado de São Paulo, Brasil. No ano seguinte, a família se muda para Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, onde foi criado, junto com os irmãos, de pé no chão, rodeado de árvores, frutas e pássaros, presentes em diversos trabalhos, muitas vezes associados a pautas musicais, já que a sonoridade é outra de suas paixões.

Em 1953, muda-se para São Paulo e, sete anos depois, para o Rio de Janeiro. Ali conheceu o diretor de arte Mauro Salles Junior. Naquele momento, fascinado pela liberdade do ato de criar, decidiu ser artista. Em vez de jogar futebol, como a maioria dos jovens, preferia ler sobre arqueologia e história da arte e, em meados dos anos 60, comungava dos ideais de “pé na estrada” da beat generation.

Em Londres, teve a oportunidade de trabalhar no ateliê do célebre artista plástico Hélio Oiticica. Radicou-se na Itália, onde morou durante 14 anos.  A sobrevivência, porém, muitas vezes não foi fácil e teve que trabalhar como pintor de paredes e marceneiro, além de fazer artesanatos e roupas de couro.

Em 1985, foi para Nova York, retornando para São Paulo apenas em 1999. Ao longo da vida, desenvolveu ainda o amor pela geometria e pela matemática recreativa. Tem hoje mais de 3.500 quebra-cabeças e desenvolve muitos trabalhos com base em proporções numéricas, além de adorar a óptica e os estudos dos espectros da luz.

Suas tonalidades vão do vermelho, ligado à matéria, ao roxo, que simboliza a espiritualidade. Autêntico senhor das cores, entre obras de arte, exposições, livros e viagens, Peticov faz pensar e estimula a troca de idéias. Com uma carreira que inclui exposições em praticamente todo o mundo, o artista não se coloca como um mestre que ensina, mas como aquele que mostra um caminho. Cabe a cada um encontrar a direção e o ritmo dos próprios passos nessa jornada.